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domingo, junho 05, 2011

Prazer de final de semana




            Afinal o final de semana tão esperado chegou. José estava sozinho no apartamento. Esposa e filha tinham ido para a praia. Ele, com a desculpa do trabalho, aproveitou para ficar sozinho. Sozinho sim, mas não desacompanhado.
            Abriu o jornal e procurou nos anúncios uma acompanhante. Escolheu aleatoriamente. Acreditava na sorte. Ligou. Marcou hora. Esperou. A campanhia tocou.
            Andrany só podia ser nome de guerra. Morena baixinha, pele rosada, voz macia. O final de semana prometia.
            Beijos já na porta. Sussurros ao pé do ouvido. Toques. Carícias. Algo o deixou assustado. Da mulher emanava um cheiro adocicado e estranho que causava temor e desejo.
            Levou a moça para o quarto. Na cama em que dormia com sua esposa notou que ela parecia bem mais forte do que aparentava. Após tórridas horas de prazer tentou em vão levantar e ir ao banheiro. Parecia preso à cama por algo viscoso e pulsante.
            O susto o fez abrir bem os olhos para poder enxergar tentáculos saindo da boca, do umbigo e outros orifícios daquela mulher. Sentiu um tremor no corpo, uma vontade de chorar.

            Quando a esposa e filha voltaram para casa no domingo à noite, encontraram o quarto do casal impecavelmente limpo, exceto por pequena mancha de sangue no lençol.

domingo, maio 08, 2011

Vida de Circo



Amargou mais uma semana desgraçada no trabalho, febril foi deitar, demorou a se aquecer e adormecer por causa da tosse.
            Sonhos como os do ópio, dores como as do inferno e no outro dia mais uma manhã em branco trabalhando, uma tarde sendo mastigada pelos clientes, pela chefia e uma noite sendo cuspida pela família e noivo.
            No domingo não trabalhou, era a folga e satisfeita fez um almoço em família que comeu sozinha, tossiu a tarde toda, adormeçeu no sofá e acordou na madruga, descontrolada e convulsiva a tosse a obrigou a por a mão na boca, imagine só acordar a casa toda. A mão saiu coberta de algo quente, viscoso. Medo de ver sangue, de ser tuberculose.
            Correu ao banheiro, mas na claridade da luz acesa viu que era tinta.
            No outro dia envenenou os peixes do aquário, transou loucamente com a vizinha e chegou atrasada no trabalho. Espetou uma bic no olho do chefe, chutou uns dois ou três colegas.
            O noivo deu entrada no Pronto-Socorro com traumas diversos, não durou dois dias, o atropelador fugiu. O pai, a mãe e o irmão morreram no incêndio e da casa não sobrou nada.
            Anabelle pintou o rosto com seu escarro colorido e foi ser palhaço em um circo que passava pela cidade.

quinta-feira, maio 05, 2011

raízes...


Acordou no meio da noite, bexiga cheia, rosto amarrotado e gestos lerdos. Tateou com os pés em busca dos chinelos, encontrou.
A mão fria com esmalte descascado, mas invisível no escuro, uma nesga de luz pálida brotava filtrada pela cortina, mas não clareava nada.
O hálito da madrugada, a porta do quarto e a sonolência. O barulho na janela. Ouviu. Escutou atentamente e achou que ainda era sonho.
Tentou abrir, descobrir, sempre fora corajosa... Encontrou ao toque da mão fria o frescor das raízes que brotavam pelas frestas da persiana e que já invadiam o quarto de dormir e o transformavam em um quarto de perecer.
Tentou gritar, tentou fugir, tentou escapar... Tentou entender.
Mas aquela madeira viva se entrelaçava nas carnes, penetrava orifícios e se enraizava em sua alma. Adormeceu.
Quando, por fim, libertou-se da dormência sentiu que estava repousando em um ventre cheirando a terra. Esperando a hora de brotar.
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